DURANTE MINHA ESTADA EM BARCELONA, EM 2012, ME HABITUEI A CUMPRIMENTAR UMA SENHORA QUE TODOS OS DIAS APARECIA NO BALCÃO DE SEU APARTAMENTO, EM FRENTE AO QUE EU MORAVA.

TROCÁVAMOS PEQUENAS PALAVRAS, SEMPRE COM CARINHO. ERA POSSÍVEL OUVIR O SOM DE SEUS TALHERES ENQUANTO JANTAVA E TAMBÉM VER E OUVIR QUANDO FAZIA GINASTICA EM UMA BICICLETA.

ESSA SENHORA FOI ENCONTRADA MORTA EM SEU APARTAMENTO EM UM DIA DE VERÃO, SOZINHA COMO SEMPRE A VI. DO MEU BALCÃO VI TODO O MOVIMENTO DOS BOMBEIROS E DOS AMIGOS, PARECE QUE ELA JÁ ESTAVA LÁ HÁ DIAS. 

DESTE MOMENTO EM DIANTE PASSEI A REGISTRAR QUASE QUE DIARIAMENTE AS JANELAS E O BALCÃO DESSA SENHORA, SUAS SUCULENTAS QUE FORAM PERDENDO AS FORÇAS.

DO LADO DE CÁ, TAMBÉM REGISTREI MEU CORPO E MINHA PRESENÇA, MINHA EXISTENCIA EM MEU APARTAMENTO. BUSQUEI DIALOGAR COM A CAMINHADA DO LUGAR COMO UM TODO, SUAS PRESENÇAS, SEUS VAZIOS E SUA MEMÓRIA.